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sábado, 4 de abril de 2009

Iraque começa execução de homossexuais esta semana


Desde 2004, a homossexualidade é punida com a morte no Iraque. Esta semana 128 pessoas serão executadas no país, muitas delas por serem homossexuais. O grupo IRAQI-LGBT – que apóiam os gays e lésbicas iraquianos – solicitou a intervenção imediata para o governo do Reino Unido e grupos de direitos e a Organização das Nações Unidas.

Em 2005, 17 membros do grupo em favor dos direitos dos homossexuais iraquianos foram condenados e assassinados pelo governo do país. Segundo dados oficiais, entre 2006 e 2008, 132 homossexuais foram executados no Iraque.

É lamentável perceber que algumas nações ainda consideram a homossexualidade um crime ou pecado. Fica a torcida para que as autoridades britânicas intervenham nessas execuções.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Para vereador de SP, homossexuais são pessoas doentes


Durante a seção plenária da última terça-feira (24/03), o vereador Carlos José Gaspar (foto ao lado) – da cidade de Osasco, em São Paulo - chamou os homossexuais de doentes. Esse discurso homofóbico fez parte de uma reclamação que o parlamentar fazia em relação às travestis e garotos de programas encontrados nas ruas de São Paulo. Logo após, as críticas infundadas contra os profissionais do sexo, Gaspar acusou todos os homossexuais. “É terrível demais, é deprimente”, disse o político em relação aos homossexuais. “A gente até respeita, mas na verdade o sentimento é de dó, porque boa parte desta situação é doença. São pessoas doentes, pois pessoas que nascem com um sexo e pensam de outra maneira precisam de tratamento”, continuou.


É lamentável ouvir pessoas influentes utilizarem o espaço de fala para difundir frases infundadas como esta. Só para lembrar que psiquiatras comprovaram que a homossexualidade é uma doença. Tanto, que foi retirada da lista de patologias da Organização Mundial de Saúde na década de 70. Infelizmente, no Brasil, esta lista só foi alterada 20 anos depois, o que talvez implique nesta crença estúpida que o homossexual é um indivíduo doente.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Manual traz informações erradas sobre a homossexualidade


O Manual de Atenção à Saúde dos Adolescentes, distribuídos nos postos de saúde da cidade de São Paulo, traz afirmações incorretas sobre a homossexualidade. O artigo da pediatra Lígia de Fátima Nóbrega Reato, encontrado neste manual, em relação ao troca-troca, diz que “quando, por pressão do grupo ou por vontade própria, o jovem passa a ser sempre o passivo; a permanência nessa passividade pode tornar o púbere um homossexual”.

O vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT), Muirlo Sarno, tomou conhecimento deste texto recentemente. Murilo ainda afirmou que "o Fórum Paulista LGBT, com o apoio da APOGLBT, fez uma notificação à secretaria da Saúde. Se vão tirar de circulação, eu não sei".

Murilo qualifica o material como "altamente infeliz e nem um pouco técnica" em relação à afirmação da pediatra que diz quem quer for passivo no troca-troca será homossexual.


Militantes LGBTs de São Paulo enviaram um documento para a Secretaria Municipal de Saúde exigindo a revisão imediata do material. Entre os grupos que assinam o documento estão o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (ABGLT), o grupo E- Jovem e o Fórum Paulista LGBT e Rede de Comunicadores GLS.

Leia abaixo a carta enviada à Secretaria Municipal de Saúde na íntegra:


São Paulo, 03 de Fevereiro de 2009
Ofício n. 013/09
Exmo.Sr. Januário Montone
DD. Secretário Municipal de Saúde
Prefeitura Municipal de São Paulo


Considerando que uma das diretrizes da atual gestão municipal é "melhorar as políticas voltadas à promoção e prevenção da saúde do público LGBT", causa espanto e indignação ler no recém distribuído "Manual de Atenção à Saúde do Adolescente", elaborado pela Coordenação de Desenvolvimento de Programas e Políticas de Saúde da SMS/SP, passagens de conteúdo preconceituoso e que de maneira alguma se encontram em concordância com a recente literatura médica, psicológica e pedagógica. O referido manual tem como data de publicação o ano de 2006, no entanto foi distribuído nesta semana em algumas unidades de saúde da cidade.

Nas páginas 112-3, diz o Manual: Um dos jogos sexuais praticados pelos meninos é o vulgarmente conhecido como "troca-troca" que, quando descoberto pelos adultos, costuma gerar dúvidas e preocupações quanto a uma possível identificação homossexual na vida adulta. Segundo Tiba, este tipo de prática está mais relacionada ao treino do papel do que à busca da satisfação sexual; nestas situações, o adolescente visualiza o outro como um espelho. A possibilidade de dano só é real quando existe diferença de idade ou de fase de desenvolvimento entre os participantes ou quando, por pressão do grupo ou por vontade própria, o jovem passa a ser sempre o passivo; a permanência nessa passividade pode tornar o púbere um homossexual.
É sabido que a orientação sexual não é resultado de uma escolha, muito menos decorrente de uma prática isolada conforme se refere o texto acima na passagem sobre a "permanência na passividade". Outrossim, o trecho acima citado associa "preocupação" a "homossexualidade", o que conduz à interpretação de que a homossexualidade é algo "negativo". Afinal, ninguém se preocupa com a possível heterossexualidade de um/a adolescente.


Cabe lembrar que em 1973 a American Psychiatric Association retirou a homossexualidade da lista dos distúrbios mentais. Em 1990, a Assembléia Geral da Organização Mundial da Saúde aprovou a retirada do código 302.0 (Homossexualidade) da Classificação Internacional de Doenças. Em sua última revisão, em 1995, a CID declarou oficialmente que a homossexualidade não constitui doença alguma. Por isso, o sufixo "ismo" (que remete a "doença") foi substituído por "dade" (que remete a "modo de ser"). Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) nomeou uma comissão de especialistas para deliberarem sobre o assunto. Foi formulada a Resolução 001/99, considerando que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão", que "há, na sociedade, uma inquietação em torno das práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente" (qual seja, a heterossexualidade), e, especialmente, que "a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações".

Tendo em vista o referido manual constituir-se em importante peça de comunicação da SMS para os profissionais de saúde que trabalham com adolescentes, o Fórum Paulista de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, a ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, o grupo E-Jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados e o Grupo de Pais de Homossexuais, vêm pedir que o manual seja revisto e que seja enviado para todos/as profissionais de saúde do município uma nota explicativa a respeito do tema, a ser elaborada pela Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual, da Secretaria Municipal de Participação e Parceria.