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terça-feira, 5 de maio de 2009

Revista Época destaca homofobia nas escolas brasileiras

A edição da semana passada da revista Época destacou o preconceito nas escolas. Dentro desse assunto, apresentou dados da pesquisa realizada pela Unesco em 2004. Em relação aos alunos, 40% não querem um colega homossexual sentado na carteira ao lado e, no tocante aos professores, 60% acham "inadmissível" uma pessoa manter relações afetivo-sexuais com pessoas do mesmo sexo. Quatro adolescentes foram retratadas na matéria, todos sofreram discriminação por alunos, professores e funcionários do local onde estudavam. Para ler a reportagem completa, clique aqui.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

GGB disponibiliza desenhos da campanha Super heróis contra o preconceito

Produzidas pelo cartunista Hector Sallas em 2001, a série de quadrinho que fazem alusão aos super heróis em versão gay podem ser adquiridas no site oficial do Grupo Gay da Bahia (GGB). Entre os heróis parodiados estão o Super Homem, a Mulher Maravilha, o incrível Hulk, o Capitão América e o casal Batman e Robin. Para obter as imagens, clique aqui.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Propaganda de TV faz alusão à homofobia


Um comercial de TV do salgado Doritos (foto acima), divulgado na última semana, faz menção à discriminação por orientação sexual. A peça publicitária destaca quatro amigos dentro de um carro quando, no rádio, começa a tocar YMCA, canção do grupo Village People.Um dos rapazes começa a fazer a coreografia da música. Seus amigos, ao observarem a cena, estranham e o olham com desconfiança. Ao final, o locutor interrompe a música e diz: "Quer dividir algo com os amigos? Divide um Doritos!". Nesse momento, um pacote do salgadinho esconde o rosto do garoto, que dançou ao ritmo da música. Ou seja, o comercial faz alusão de que é melhor dividir, revelar a sexualidade.

Leitores do site A Capa perceberam o preconceito subentendido na mensagem da propaganda e notificaram o site sobre o assunto. Ontem (12/03), a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (ABGLT) enviou um ofício para O Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) solicitando que seja retirado o vídeo de circulação nos principais veículos de comunicação. Para saber outras informações sobre o caso, clique aqui.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Pesquisa avalia preconceito contra LGBTTs


Pesquisa realizada em junho do ano passado pela Fundação Perseu Abramo em parceria com outra fundação alemã releva dados sobre o preconceito dos brasileiros em relação aos gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais. O estudo aponta que 93% dos brasileiros acreditam que existe preconceito contra as travestis. Enquanto isso, 92% acreditam que existe preconceito contra gays e lésbicas e 90% contra bissexuais.

Quando perguntados se são preconceituosos, 29% dos entrevistados admitem o preconceito contra travestis, 28% contra as transexuais, 27% contra as lésbicas e bissexuais e 26% contra gays.

Das 2014 pessoas entrevistadas em 150 municípios, 31% discordam que a homossexualidade é algo natural e espontâneo e 57% acreditam que os homossexuais geralmente são promíscuos nos relacionamentos. Os dados revelam também que apenas 24% dos entrevistados acreditam que homossexuais precisam de direitos jurídicos para diminuir a discriminação.

Essa pesquisa tem a finalidade de mapear o comportamento discriminatório dos brasileiros em relação aos gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros para servir como subsídio para a inserção de políticas públicas para diminuir o preconceito e favorecer à afirmação de cada uma dessas identidades sexuais.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Manual traz informações erradas sobre a homossexualidade


O Manual de Atenção à Saúde dos Adolescentes, distribuídos nos postos de saúde da cidade de São Paulo, traz afirmações incorretas sobre a homossexualidade. O artigo da pediatra Lígia de Fátima Nóbrega Reato, encontrado neste manual, em relação ao troca-troca, diz que “quando, por pressão do grupo ou por vontade própria, o jovem passa a ser sempre o passivo; a permanência nessa passividade pode tornar o púbere um homossexual”.

O vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT), Muirlo Sarno, tomou conhecimento deste texto recentemente. Murilo ainda afirmou que "o Fórum Paulista LGBT, com o apoio da APOGLBT, fez uma notificação à secretaria da Saúde. Se vão tirar de circulação, eu não sei".

Murilo qualifica o material como "altamente infeliz e nem um pouco técnica" em relação à afirmação da pediatra que diz quem quer for passivo no troca-troca será homossexual.


Militantes LGBTs de São Paulo enviaram um documento para a Secretaria Municipal de Saúde exigindo a revisão imediata do material. Entre os grupos que assinam o documento estão o Grupo de Pais de Homossexuais (GPH), a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (ABGLT), o grupo E- Jovem e o Fórum Paulista LGBT e Rede de Comunicadores GLS.

Leia abaixo a carta enviada à Secretaria Municipal de Saúde na íntegra:


São Paulo, 03 de Fevereiro de 2009
Ofício n. 013/09
Exmo.Sr. Januário Montone
DD. Secretário Municipal de Saúde
Prefeitura Municipal de São Paulo


Considerando que uma das diretrizes da atual gestão municipal é "melhorar as políticas voltadas à promoção e prevenção da saúde do público LGBT", causa espanto e indignação ler no recém distribuído "Manual de Atenção à Saúde do Adolescente", elaborado pela Coordenação de Desenvolvimento de Programas e Políticas de Saúde da SMS/SP, passagens de conteúdo preconceituoso e que de maneira alguma se encontram em concordância com a recente literatura médica, psicológica e pedagógica. O referido manual tem como data de publicação o ano de 2006, no entanto foi distribuído nesta semana em algumas unidades de saúde da cidade.

Nas páginas 112-3, diz o Manual: Um dos jogos sexuais praticados pelos meninos é o vulgarmente conhecido como "troca-troca" que, quando descoberto pelos adultos, costuma gerar dúvidas e preocupações quanto a uma possível identificação homossexual na vida adulta. Segundo Tiba, este tipo de prática está mais relacionada ao treino do papel do que à busca da satisfação sexual; nestas situações, o adolescente visualiza o outro como um espelho. A possibilidade de dano só é real quando existe diferença de idade ou de fase de desenvolvimento entre os participantes ou quando, por pressão do grupo ou por vontade própria, o jovem passa a ser sempre o passivo; a permanência nessa passividade pode tornar o púbere um homossexual.
É sabido que a orientação sexual não é resultado de uma escolha, muito menos decorrente de uma prática isolada conforme se refere o texto acima na passagem sobre a "permanência na passividade". Outrossim, o trecho acima citado associa "preocupação" a "homossexualidade", o que conduz à interpretação de que a homossexualidade é algo "negativo". Afinal, ninguém se preocupa com a possível heterossexualidade de um/a adolescente.


Cabe lembrar que em 1973 a American Psychiatric Association retirou a homossexualidade da lista dos distúrbios mentais. Em 1990, a Assembléia Geral da Organização Mundial da Saúde aprovou a retirada do código 302.0 (Homossexualidade) da Classificação Internacional de Doenças. Em sua última revisão, em 1995, a CID declarou oficialmente que a homossexualidade não constitui doença alguma. Por isso, o sufixo "ismo" (que remete a "doença") foi substituído por "dade" (que remete a "modo de ser"). Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia (CFP) nomeou uma comissão de especialistas para deliberarem sobre o assunto. Foi formulada a Resolução 001/99, considerando que "a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão", que "há, na sociedade, uma inquietação em torno das práticas sexuais desviantes da norma estabelecida sócio-culturalmente" (qual seja, a heterossexualidade), e, especialmente, que "a Psicologia pode e deve contribuir com seu conhecimento para o esclarecimento sobre as questões da sexualidade, permitindo a superação de preconceitos e discriminações".

Tendo em vista o referido manual constituir-se em importante peça de comunicação da SMS para os profissionais de saúde que trabalham com adolescentes, o Fórum Paulista de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, a ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, o grupo E-Jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados e o Grupo de Pais de Homossexuais, vêm pedir que o manual seja revisto e que seja enviado para todos/as profissionais de saúde do município uma nota explicativa a respeito do tema, a ser elaborada pela Coordenadoria de Assuntos da Diversidade Sexual, da Secretaria Municipal de Participação e Parceria.