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quarta-feira, 13 de maio de 2009

Três travestis assassinadas em Curitiba em menos de duas semanas

Em menos de 10 dias, três travestis foram assassinadas em Curitiba. No dia 27 de abril, a travesti Juliana foi morta a tiros numa região conhecida como Trevo do Atuba. Após uma semana, outra travesti foi encontrada assassinada no mesmo local. No último dia 6, a terceira vítima foi assassinada no centro da cidade. A Polícia Militar já está investigando os caso. O delegado Hamilton da Paz, da Delegacia de Homicídios, trabalha com a hipótese que os assassinatos possuem algum tipo de ligação, mas essa não é a única possibilidade.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Jornalista escreve livro sobre trans inseridas no mercado de trabalho


Nove entre 10 travestis sobrevivem da prostituição. É o que revela a Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros (ANTRA). Apesar disso, poucas trans conseguem espaço no mercado de trabalho. E é sobre essas pouquíssimas trans que o jornalista Lucon Neto destacou para escrever o livro-reportagem “Por um lugar ao sol” (imagem ao lado). A obra é dividida em seis capítulos que retratam cinco histórias de trans de sucesso fora das ruas. A idéia do jornalista surgiu após a análise midiática feita em relação às notícias envolvendo o grupo. Nisso, ele comprovou que as travestis e transexuais sempre são apresentadas de forma negativa e relacionadas à prostituição. Entre as questões discutidas no livro estão o uso do banheiro feminino ou masculino, o uso do nome social, os preconceitos ocorridos numa seleção de emprego, o respeito e contato com os colegas e clientes, a falta de incentivo à escolaridade, a discriminação no ambiente escolar e o caminho da prostituição.

terça-feira, 31 de março de 2009

Travesti morre após utilizar silicone industrial

Érica Pinheiro tinha 31 anos e morava na cidade de Campinas, em São Paulo. A travesti morreu no último domingo (29/03) após aplicar silicone industrial nas nádegas no dia 23. Segundo o Hospital Municipal Dr. Mário Gatti – onde a travesti ficou internada – ela chegou ao local com febre alta, falta de ar e sangramento interno. Ela não resistiu e faleceu devido a uma infecção generalizada.

Uso do nome social é aprovado em Goiás


Na última sexta-feira (27/03), o Conselho Estadual de Educação de Goiás (CEE-GO) aprovou o uso do nome social de travestis e transexuais nas escolas públicas do estado. A partir dessa ação, Goiás se torna o terceiro estado do país que determina a medida. A Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (ABGLT) e a Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros (ANTRA) – idealizadores do projeto - pretendem que até o fim do ano todos os estados brasileiros adotem o uso do nome social nas escolas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Trans de Londrina foram assassinadas por quadrilha de travestis de SP

Segundo matéria publicada no Jornal de Londrina do último domingo (08/03), os ataques e homicídios contra travestis e transexuais de Londrina seriam praticados por uma quadrilha que pretende controlar o mercado das profissionais de sexo. Segundo algumas vítimas, o grupo responsável pela prática no local seria formado de travestis do interior paulista. O primeiro ataque às transgêneros envolvendo a quadrilha ocorreu em setembro do ano passado. Desde então, os assassinatos a travestis e transexuais têm aumentado no local. O caso preocupa os grupos LGBTs do Paraná e a polícia está investigando o caso.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Travesti é baleada em Feira de Santana

No último dia 24, uma travesti de 15 anos foi baleada na rodovia BR 116/Sul próxima à cidade de Feira de Santana. Atingida na barriga, costas e nádegas, ela foi encaminhada para o Hospital Cleriston Andrade e não corre risco de vida.
A jovem - natural de Aracaju – saiu de sua cidade natal para realizar o sonho de colocar silicone nos seios. Ela estava na estrada em busca de carona e entrou num carro onde estavam três homens ainda não identificados. Por se recusar a praticar sexo com os rapazes, eles dispararam vários tiros contra a travesti.
Rafael Carvalho, presidente do Grupo Liberdade Igualdade e Cidadania Homossexual (GLICH), lamentou o ocorrido e declarou que vai oferecer apoio à vítima. Segundo comunicado oficial ao jornal Tribuna Feirense, Carvalho também deixou claro que vai solicitar que o caso seja investigado pela delegacia responsável para que os culpados sejam punidos pelo crime de travestifobia.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Travesti utiliza silicone industrial e morre em São Paulo

Uma travesti de 25 anos faleceu no último dia 18 em São Paulo por aplicar silicone utilizado em carros com a ajuda de sua mãe. Ela sofreu infecção generalizada e parada cardíaca após colocar o produto e permaneceu 15 dias internada num hospital localizado em Franca, a 400 km de São Paulo.

Esse caso é importante para as travestis perceberem que a aplicação de silicone industrial é um risco para a saúde. Além de provocar a morte, pode também mutilar o corpo. Vamos ter muito cuidado com o uso destes produtos. O ideal é procurar um cirurgião reconhecido e fazer a cirurgia com todos os procedimentos clínicos corretos.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Dia Trans: Viva 29 de janeiro


Há exatamente cinco anos, a primeira campanha voltada para a cidadania dos transgêneros foi divulgada pelo Programa Nacional de AIDS do Ministério da Saúde. A finalidade desta campanha era sensibilizar os educadores e profissionais da área de saúde, além de motivar travestis e transexuais, resgatando a cidadania e auto-estima. Por este motivo, a data foi instituída como o Dia de Visibilidade Trans. Para começar, entende-se transgêneros como o grupo constituído de indivíduos que possuem identidade de gênero contrária ao sexo biológico. Nesse sentido, incluem-se neste grupo travestis, transexuais, crossdressers, dragqueens, transformistas e outros.

Transgêneros, principalmente travestis e transexuais, sofrem diariamente com o preconceito. Primeiro, porque não são aceitas pela família e pelo mercado de trabalho. Segundo, pela agressão física, verbal e psicológica que sofrem todos os dias por serem transgêneros. Por isso, só resta uma alternativa para a maioria das travestis e transexuais: a prostituição. Desde cedo, elas são inseridas neste caminho devido à discriminação e a falta de oportunidade da sociedade.

Desse modo, o dia 29 de janeiro é muito importante para o segmento, pois mostra a sociedade que os transgêneros existem e, principalmente, merecem respeito, inclusão social e direito à cidadania.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Travestis e transexuais podem ter o direito de usar nome social nas escolas

No próximo dia 29 de janeiro, comemora-se em todo o Brasil o Dia de Visibilidade Trans. Nessa mesma data, a Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros (ABGLT) e a Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros (ANTRA) lançam campanha nacional destinada à aceitação do nome social das travestis e transexuais. Desse modo, serviços públicos e privados serão obrigados a utilizar o nome feminino das travestis e transexuais nos cadastros de identificação.

Alguns estados já aplicam essa campanha. É o caso do Pará, o único estado que aceita matricular travestis e transexuais com seus respectivos nomes sociais nas escolas existentes no local. Minas Gerais, Paraná e Piauí também mostram um avanço nesse sentido.

O Ministério da Educação deixa claro que é favorável ao uso de nomes sociais de travestis e transexuais nas escolas brasileiras, mas a decisão final cabe estritamente às secretarias estaduais. A intenção desta campanha é diminuir a evasão escolar de travestis e transexuais devido ao constrangimento de serem chamadas pelos nomes que não dizem respeito à orientação sexual delas.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Suécia retira travestismo da listas de doenças


A partir desse mês, palavras como travestismo, fetiche e transtorno de identidade deixaram a lista de doenças do Conselho Nacional de Saúde da Suécia. Além desses termos, outros que designam preferências sexuais também saíram dessa listagem. A ação representa um grande avanço para os transgêneros principalmente. Vamos aguardar para que o travestismo também deixe de ser considerada patologia em outros países do mundo, incluindo o Brasil.

Outras informações no link abaixo:

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Damas invisíveis: Uma análise sobre os travestis e as transexuais

No baralho normal, existem 52 cartas. Entre essas dezenas, temos valetes, reis e damas. Essas últimas dão todo o charme do jogo de cartas, inclusive a dama de paus é comparada a uma figura bastante marginalizada em nossa sociedade. Trata-se do travesti, identidade considerada invisíveis por alguns indivíduos. Mas, assim como as cartas de um baralho, se não existisse a dama de paus em nossa sociedade, como completaríamos o jogo? Se existe a dama de paus em nossa sociedade, a transexual seria representada por qual carta do baralho? As pessoas geralmente confundem a dama de paus com a transexual, mas há diferença entre as duas damas. Aliás, não sei como representar a transexual nesse emaranhado de cartas, pois não há uma figura a altura dessa condição identitária. Vamos chamá-la de transexual mesmo para evitar confusões e o travesti permanecerá como a dama de paus, levando em consideração o livro Dama de paus: travestis no espelho da mulher, escrito por Neusa Oliveira, em 1994.

Uma das maiores ilusões relacionadas ao universo dos transgêneros é, sem dúvida, a suposta semelhança entre damas de paus (travestis) e transexuais. Muitas pessoas ainda acreditam que esses termos se referem ao mesmo significado. Outros preferem ignorar a existência dessas damas por puro preconceito e intolerância sexual. O que poucos indivíduos sabem é que não há sentido na semelhança entre os travestis e as transexuais. Antes de tudo, é fundamental esclarecer que transexualidade e travestismo não possuem relação com orientação sexual, ambos dizem respeito à condição identitária de um ser. Portanto, tanto os travestis, quanto as transexuais podem se afirmar como heterossexuais, bissexuais ou homossexuais. Então, não vamos observar em pesquisas de opinião, quando perguntados sobre a sexualidade, as opções de resposta transexuais e travestis.

Levando em consideração as informações encontradas na Wikipédia - enciclopédia livre (2007), transexual é “o indivíduo que possui uma identidade de gênero oposta ao sexo designado, normalmente no nascimento”. Acima de tudo, a transexualidade é um transtorno psicológico e muitas vezes precisa de auxílio médico para a realização da cirurgia de redesignação sexual (CRS), uma das soluções para este transtorno. Não se trata de uma escolha, mas de uma necessidade de adequação à identidade na qual esse indivíduo se afirma. Por isso também, a transexual se considera heterossexual, pois o objeto de desejo afetivo-sexual é por outrem do mesmo sexo biológico, mas diferente enquanto identificação sexual.

Enquanto isso, a denominação inicial para travesti como o indivíduo que se caracteriza com roupas e acessórios do sexo oposto para apresentação de shows e espetáculos se confundia com o comportamento dos transformistas ou dragqueens. Porém, o autor do livro Diferentes desejos – Cláudio Picazio – afirma que travesti diz respeito à “homens e mulheres que se identificam mais com o papel do outro sexo do que com o seu próprio, mas não o suficiente para desejarem passar por cirurgias. As razões para isto variam muito desde o fetichismo até dificuldade em adaptar-se ao gênero de nascimento”. Conforme a Wikipédia – enciclopédia livre, o termo travesti atualmente se refere principalmente à pessoa que apresenta identidade de gênero contrária ao sexo designado no nascimento. Mas, a diferença é que o travesti não deseja se submeter à Cirurgia de Mudança de Sexo, ao contrário da transexualidade.

Já que conceituamos o travesti, vamos desmistificar alguns imaginários no que diz respeito ao travestismo. Primeiro, os travestis não devem ser considerados como transexuais não operados. A maioria dos travestis está satisfeito com o órgão sexual que possui. Muitos ainda pensam também que não existem mulheres que se travestem de homens. Esse grupo é pouco expressivo em relação à quantidade de homens que se travestem de mulheres, mas existem. É interessante destacar que nem todos os travestis são homossexuais. Nesse caso, incluem-se os cross dressing, ou seja, homens que se vestem de mulheres por prazer e essa ação não altera o desejo afetivo-sexual pelo sexo oposto. Por último, nem todos os travestis são profissionais do sexo, apesar da marginalização da sociedade em relação às “damas de paus”.

Só para concluir, o travesti e a transexual são condições identitárias diferentes. No âmbito teórico, é fácil fazer esta distinção. Porém, na prática, deve se considerar de que maneira cada indivíduo se afirma enquanto identidade sexual. Leokret, eleita vereadora em Salvador na última eleição em 2008, é um bom exemplo para esse caso. A ex-dançarina, apesar não ter se submetido à Cirurgia de Mudança de Sexo, se afirma como transexual. As pessoas podem designá-la como um travesti, mas a sexualidade só se constitui a partir da auto-afirmação de cada ser. É necessário também não confundir, pois a transexual deseja ser considerada uma mulher, inclusive no registro de identificação. O fato é que o travesti, muitas vezes, não almeja isso pelo fato de utilizar o órgão que caracteriza o gênero de nascimento. Ainda sobre o travestismo, o indivíduo que se traveste não se considera mulher ou homem, mas um travesti. Para confirmar isso, Keila Simpson - presidente da Articulação Nacional de Travestis, Transexuais e Transgêneros (ANTRA) - disse durante a entrevista do Programa do Jô em 03/09/2008 que “não quero ser mulher. Quero ser o que sou. Quero ser travesti”.

Espero que essa análise simplista tenha auxiliado para diferenciar as damas consideradas invisíveis e tão marginalizadas pela maioria dos indivíduos. Viva os travestis e as transexuais, identidades que compõem e ilustram o universo LGBT!!!